
Fonte Arcada fica situada na parte mais ridente e mais fértil do altiplano onde corre o rio Távora, no centro do território do Concelho que já foi, amenizando a paisagem de monta-nha, habitada desde o neolítico.
Geograficamente, a região situa-se no limite nordeste da Beira Alta (designada por Orlando Ribeiro, de Beira Transmontana), onde desaguam três verdadeiros rios que descem das vertentes da Serra da Lapa e alimentam o caudal do Távora que corre de nascente, por Vila da Ponte, dividindo a região em duas partes quase idênticas.
Os cerros da Lapa, para Sul, e os relevos do Norte que se encontram com a recuada serra do Cirigo, são cortados por ribeiros e alagados vales onde medram hortas e formosos pomares de macieiras, entre olivedos e vinhas nas encostas soalheiras.
Os soutos de castanheiros formam uma mancha verde e uniforme na paisagem de Maio, ou sépia no Outono, onde se produzem as mais saborosas castanhas do mundo. (nota)
Protegida a ocidente pelas penedias das serras de Leomil e a Sul pela Lapa, esta de relevo anti-go e crista arredondada, e a oriente pelos relevos pedregosos da Zebreira e do Pereiro, já contrafortes da Estrela cujo sistema de maciços completa o centro da Meseta Ibérica, onde dificilmente chegam as brisas do mar ou os rigorosos frios de Espanha, apresenta-se como uma enorme faixa de terra fértil, abrigada de ventos e banhada pelo sol, permitindo culturas de espécies vegetais muito ricas.
A Terra do Ocidente, mani-nha de pinhal, a 850 metros de altitude, é
agreste mas de enorme beleza, realçada pela presença profusa
de granitos negros e azuis que, depois de trabalhados, enriquecem muitas obras
monumentais, como pode servir de exemplo o palácio da Câmara
de Sernancelhe, com o magnífico pavimento daquela pedra.

Uma certa rudeza das gentes, estratificadas em pequenas comunidades características, que o antropólogo Robert Redfield não teria hesitado em classificar como "folk society", tendo como marca distintiva a prevalência do sagrado sobre o profano, e onde, por isso mesmo, os comportamentos atávicos são dificilmente abandonados, fez com que um ilustre filho desta região, Aquilino Ribeiro, lhes atribuísse o nome de Terras do Demo, e com este epíteto titulasse um dos seus mais conhecidos romances, de grande beleza, apesar do cru realismo que dele se desprende e do recorte que nele faz do perfil colectivo dos beirões, em que ele próprio se inclui.
É assim, no centro de um enorme trapézio com aproximadamente 150 léguas quadradas, tendo como vértices as cidades de Lamego, Viseu, Guarda e Vila Nova de Foscôa, constituindo uma das zonas mais elevada da Meseta, e portanto da Beira Alta, que se situam estas férteis terras do Távora.
Entre Távora e Côa estende-se uma das mais singulares regiões deste nosso país, bafejada por um magnífico micro-clima mediterrânico, onde flores-cem as laranjeiras, as amendoeiras, as cerejeiras e os pessegueiros que, na Primavera, enfeitam a paisagem com grinaldas nupciais. Não será por isso de estranhar que no mais remoto passado, os nossos primitivos avoengos tenham feito destes sítios o seu habitat de eleição, um verdadeiro altar sagrado onde celebravam a vida, umbilicalmente ligada à terra.
Toda esta região constitui mais do que um simples lugar: é um organismo vivo que, amorosamente, acolhe no seu seio o Homem.
Foram, por certo, regiões de eleição como esta, que permitiram ao Homem dar o gigantesco salto qualitativo que separa o rude e primitivo homo faber do homo sapiens da actualidade. Naquele ambiente o homem começou a exprimir na pedra, através de desenhos e gravuras, o despontar dos seus sentimentos lúdicos e estéticos mais elevados, através da forma mais elaborada da comunicação: a arte!
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